Cirurgia refrativa: LASIK ou PRK? Diferenças, indicações e recuperação
LASIK e PRK comparados: como cada técnica funciona, quem pode operar, recuperação e riscos reais. Por Dr. Pedro Augusto, oftalmologista em São Paulo.

Acordar e não enxergar o despertador. Procurar os óculos para achar os próprios óculos. Trocar lentes de contato no meio de uma viagem, na praia, na academia. Quem depende de correção visual para tudo conhece bem essa rotina — e é exatamente ela que leva milhares de pessoas a pesquisar sobre cirurgia para tirar os óculos todos os anos.
A cirurgia refrativa a laser é hoje um dos procedimentos mais realizados e mais estudados de toda a medicina. São décadas de uso clínico e milhões de olhos operados no mundo, com técnicas que evoluíram a ponto de tornar o procedimento rápido, indolor durante a aplicação e altamente previsível na maioria dos casos.
Mas existe uma armadilha comum nessa pesquisa: gastar energia tentando decidir entre LASIK e PRK como quem compara dois modelos de celular. A pergunta certa não é “qual técnica é melhor” — é “qual é a melhor técnica para o seu olho”. E quem responde isso não é a propaganda, nem o vizinho que operou: são os exames da sua córnea.
O que a cirurgia refrativa corrige
A cirurgia refrativa trata os chamados erros refrativos — situações em que a luz não é focalizada corretamente sobre a retina:
- Miopia: o olho foca a imagem antes da retina, e a visão de longe fica embaçada.
- Hipermetropia: o foco se forma “atrás” da retina, dificultando principalmente a visão de perto (e, em graus maiores, também a de longe).
- Astigmatismo: a córnea tem curvatura irregular, e a imagem fica distorcida ou “borrada” em todas as distâncias.
O laser remodela a curvatura da córnea para que a luz volte a focar no lugar certo — fazendo, na prática, o trabalho que os óculos faziam.
A presbiopia (“vista cansada”), que aparece em regra a partir dos 40 anos, é um capítulo à parte: tem origem diferente (perda da capacidade de foco do cristalino) e abordagens próprias, que vão de estratégias com laser até lentes intraoculares. Se esse é o seu caso, o caminho deve ser discutido individualmente em consulta.
Quem pode fazer cirurgia refrativa
Os critérios gerais de elegibilidade são bem estabelecidos:
- Idade mínima de 18 anos — idealmente a partir dos 21, quando o grau tende a estar mais estável.
- Grau estável há pelo menos 1 ano: operar um grau que ainda está mudando significa correr atrás de um alvo em movimento.
- Córnea adequada: espessura suficiente e topografia regular, sem sinais de ceratocone ou fragilidade estrutural.
- Olhos saudáveis: sem doenças oculares ativas, como infecções, uveítes ou olho seco grave não controlado.
- Fora de gestação e amamentação: as alterações hormonais modificam temporariamente o grau e a córnea — a cirurgia é adiada, não contraindicada em definitivo.
Quanto ao grau tratável, os limites aproximados aceitos na prática são: miopia até cerca de -8 a -10 dioptrias, astigmatismo até cerca de -5 dioptrias e hipermetropia até cerca de +5 dioptrias. Esses números variam conforme a técnica e, principalmente, conforme a córnea de cada paciente — não são promessa nem corte automático, e sim referência que a avaliação individual confirma ou ajusta.
Os exames que decidem tudo
A parte mais importante da cirurgia refrativa acontece antes dela: a avaliação pré-operatória. É ela que separa os bons candidatos dos casos em que operar seria um erro.
- Topografia e tomografia de córnea (Pentacam): mapeiam a curvatura e a elevação da córnea em milhares de pontos, na face anterior e posterior. É o exame central da triagem.
- Paquimetria: mede a espessura da córnea, definindo quanto tecido pode ser remodelado com segurança.
- Refração sob cicloplegia: medida do grau com colírio que relaxa o foco do olho, revelando o grau real — especialmente importante em jovens e hipermetropes.
- Mapeamento pupilar: o diâmetro da pupila no escuro influencia o planejamento da zona de tratamento e o risco de halos noturnos.
- Avaliação de olho seco: olho seco significativo precisa ser tratado antes da cirurgia, pois o procedimento pode agravá-lo temporariamente.
O objetivo número um de toda essa bateria é descartar ceratocone e córneas de risco. A ectasia pós-cirúrgica — um enfraquecimento progressivo da córnea após o laser — é a complicação que esse screening existe para evitar. Com a tomografia moderna, córneas suspeitas são identificadas e excluídas da cirurgia antes que qualquer dano aconteça.
Atendimento presencial
Consultório com fácil acesso para moradores de Lapa, Vila Leopoldina, Perdizes, Água Branca e Vila Madalena.

